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Nossa História

 
REVISTA DO MUNICIPIO
Historias do Municipio- pelas professoras Elizabete e Denizia

Crnicas

sbado, 28 de janeiro de 2017

HISTRIA DE ITAMB - PARTE 4

PATRIMNIO, BAIRROS E COMUNIDADES RURAIS

De acordo com o trabalho da Prof. Elisabete Aparecida Moreno, intituladoITAMB Aspectos histricos, geogrficos e scio-econmicos(1996), a maioria da populao que formou este municpio migrou de Santa Catarina, cerca de 54%; depois de So Paulo, 26%; de outras regies do Paran foram 10%; de Minas Gerais 7%; de outros estados 2% e de outros pases 1%. O estudo traz ainda o nmero de pessoas que moravam na zona rural e urbana em 1970, que correspondia a 2.815 na zona urbana e 12.229 na zona rural. Isto comprova que, como a maioria da populao residia na zona rural, as fazendas tornaram-se verdadeiras cidades.

Famlias que migraram para Itamb

Fonte: Mnica Oswaldo do Nascimento

A falta de transporte do campo at a zona urbana obrigava as famlias de agricultores a morarem perto do trabalho. Ento grandes colnias se formaram na zona rural. Os bairros e comunidades rurais, como eram denominados, possuam uma infraestrutura bsica para abrigar os moradores. Nestes, alm das casas, havia ainda escola, capela, campo de futebol, salo de festas, venda de secos e molhados e paiis. Nestas comunidades, eram realizadas festas, missas, cultos, torneios de futebol e casamentos.

Venda de Secos e Molhados da Fazenda OuroVerde

Fonte: Famlia Meyer

Mas no havia gua encanada, as roupas eram lavadas em rios ou em tbuas com gua retirada de poos. Para tomar banho, usavam-se bacias ou chuveiros de lato reabastecidos manualmente. As necessidades fisiolgicas eram feitas em privadas rsticas, ou at no mato. O lixo tinha dois destinos: o orgnico servia de alimento para porcos, galinhas, e o restante era queimado nos quintais. Nesta poca, a produo de lixo no orgnico era pouca, pois nas vendas, as compras eram postas em sacos de papel ou tecido, as bebidas vinham em garrafas de vidro que, aps o consumo, deveriam ser devolvidas ao vendedor. Dessa forma, havia pouco para ser queimado.

Com o tempo e a criatividade, foram criados alguns sistemas para melhorar a qualidade de vida. Como havia fogo lenha em praticamente todas as casas, em algumas fazendas era instalado um cano de gua, chamado serpentina, que passava por dentro do fogo. A gua que saa quente era usada para tomar banho. Esse sistema foi usado nas fazendas Trs Minas, So Paulo, Santa Ceclia e outras. Os engenhos de cana tambm ajudaram na fabricao de rapadura e acar. Alguns eram movidos trao animal.

Mulheres e crianas lavando roupa

Fonte: Famlia Moreschi

A vida social tambm era agitada. Cada bairro possua um time de futebol, ento eram feitos torneiros entre eles, criando muita rivalidade. Nos fins de semana aconteciam bailes, geralmente animados por migrantes nordestinos, que atraam at os moradores da zona urbana. Os maiores bairros e comunidades rurais foram o Patrimnio Santo Antnio (Guerra), a Fazenda Ouro Verde, Catarinense, Moreschi, Garcia e Minerva. Alm destas, como a maioria dos lotes era pequena, as famlias viviam prximas umas das outras, criando laos de amizade e formando outras comunidades.

Valdinei de Souza, Nezinho, o primeiro sanfoneiro a animar os

Bailes em Itamb

Fonte: Gertrudes Granero

Mapeamento das comunidades rurais de Itamb existentes entre as dcadas de 50 e 70.

1-Itamb

2-Patrimnio Santo Antnio (Guerra)

3-Bairro Catarinense

4-Bairro Moreschi

5-Fazenda Ouro Verde

6-Couro do Boi

7-Fazenda Minerva

8-Gabirobeira

9-gua da Moca

10-Porto Real

11-gua Bonina

12-Fazenda Trs Minas

13-Garcia

14-gua Marialva

15-Cafund e Santa Rita de Cssia

16-gua Gilberto

17-Fazenda Santa Ceclia

18-Batoque

19-Jaguaruna

20-gua Manduri

21-gua Keller

22-Miotti

PATRIMNIO SANTO ANTNIO (GUERRA)

Os primeiros moradores desta regio foram Antnio Pelatti e seu pai. Um ano depois, mudou-se para l a famlia Machado. Em seguida, um homem conhecido como Z Posseiro e outro apelidado de Z Polaina. Este ltimo ganhou o apelido porque usava sempre polainas de l, mesmo no calor.

O Patrimnio Santo Antnio ficou mais conhecido como Guerra, porque l havia uma venda de secos e molhados cujo dono se chamava Jos Guerra, que chegou ao lugar por volta de 1948. A famlia Guerra vendeu uma fazenda em Abati-PR e comprou terras neste patrimnio. De acordo com o Sr. Melquiades Amncio de Souza, parente da famlia e antigo morador do local, o patriarca, Estevan Guerra, conhecido como Didinho, dividiu a fazenda entre seus cinco filhos: Jos, Geraldo, Augusta, Germano e Antnio. Ento os filhos foram revendendo as propriedades e assim o Patrimnio Santo Antnio ganhou novos moradores. Outro comerciante do Guerra foi o Sr. Antnio Ferreira, conhecido como Antnio Maneta. Os irmos Aluzio, Milton e Gibson Linhares Monteiro e o cunhado Aristides Cumani adquiriram terras, residiram no patrimnio, dedicaram-se ao comrcio de cereiais e venda de secos e molhados. Alm da fabricao de tijolos com barro branco no stio da famlia.

Capela Santo Antnio

Fonte: Revista Itamb, 1984

Neste Patrimnio havia a Capela Santo Antnio, fundada em 1953, que nomeou o local. Para a manuteno desta eram promovidos almoos. Antnio Pelatti conta que, no Guerra, a festa era muito boa. Ele, Dulio, Jos dos Santos, conhecido como Z Preto, e Joo Miquilin trabalhavam na organizao, havia a necessidade de cinco mulheres para depenar e preparar de quarenta a cinquenta frangos, alm de quinze a vinte leitoas e um boi de dezoito arroubas mais ou menos, tudo assado no forno de lenha. s quatro horas da tarde, j no havia mais carne, devido ao grande nmero de pessoas que compareciam ao evento.

O Patrimnio tambm contava com escola, denominada Escola Isolada Santo Expedito, na qual lecionaram as professoras Giovana, Rita, Rosa Cumani Monteiro, Jos Ferreira Dantas, Aida Quesada Monteiro, Balbina Lopes Monteiro, Experidio Franco dos Reis e Dulce Moura Leo. Inicialmente, o prdio era de madeira, mas o Governo do Estado construiu duas salas de alvenaria, dando mais conforto e segurana aos alunos e professores.

Professas e alunos da Escola Isolada Santo Expedito

Fonte: Famlia Linhares Monteiro

Havia tambm campo de futebol, quatro vendas de secos e molhados, farmcia, mquina de arroz, cabeleireiro e mquina de caf. Cerca de 3.600 pessoas moravam no entorno deste patrimnio. O Sr. Alcides Benossi, antigo morador, conta que l havia jogos de futebol que atraiam muita gente. Quando o time de Itamb disputava com o time do Guerra, sempre havia briga. Mas o pior conflito aconteceu contra um time de Aquidaban por volta de 1959. Mais de trezentas pessoas assistiam partida. No meio do jogo, durante uma discusso entre os atletas, um suplente de delegado atirou para cima com a inteno de acalmar os nimos. Porm o efeito foi o contrrio. O povo invadiu o campo e comeou a agredir os jogadores visitantes. Bateram tanto no goleiro de Aquidaban que este acabou morrendo dias depois, ningum foi preso pelo crime. Ento o dono da fazenda onde ficava o campo, Milton Linhares, decidiu acabar com os jogos.

Evento religioso no Patrimnio Santo Antnio (Guerra)

Fonte: Famlia Linhares Monteiro

A energia eltrica era fornecida por meio de motor estacionrio da famlia Linhares, que abastecia cerca de mil moradores e movia a mquina de secagem e benefcio de caf.

Entre as famlias que viviam nesta regio, destacam-se as de Joo Jacob Gegenschatz, imigrante suo que chegou a Itamb em 1951; no mesmo ano, chegou tambm Belmiro Caetano da Silva, mineiro de Juiz de Fora; Antenor Ferreira de Aquino, natural de Botelho/MG; Pedro Cardin, paulista de So Joo de Bocana, que mudou-se para c em 1953. Hatsuji Siguiura, imigrante japons, chegou ao Brasil em 1929, no Guerra, formou lavouras a partir de 1954. Alm de Mrio Machado, os irmos Pelati, Francisco B. Moreno, Famlia Garcia, Hlio Piveta, Joo e Bendito Amncio, Alfeu Correia, Famlia Murata, entre outros.

A populao deste patrimnio comeou a ir embora depois da geada de 1963. As famlias vendiam suas terras e migravam para as grandes cidades. Atualmente, apenas o prdio da escola marca o local onde existiu o patrimnio.

Bairro Catarinense

Com o objetivo de encontrar melhores condies de vida para seus filhos, muitos italianos imigraram para o Brasil no final do sculo XIX. Assim como as famlias: Raimundi, Pedrine, Rampelotti, Molinari, Pavesi, Bianchessi, entre outras que ajudaram a colonizar o Municpio de Itamb.

A famlia Bianchessi imigrou da Itlia para o Brasil em 1878 e instalou-se na regio do Distrito de Botuver, Municpio de Brusque, Santa Catarina. Pedro Bianchessi e sua esposa Josefina Resini tiveram sete filhos: Alice, Jos, Oliva, ngelo, Pedro, Elza e Gentil (Argentino). Todos trabalhavam na roa, mas a produo s permitia a subsistncia da famlia.

Coral de Imigrantes italianos em Santa Catarina, 1878.

Ezequiel Raimundi, Pedro Betinelli, Tranquilo Pedrine, Joo Pedrine,

Carlos Bianesine, Giuseppe Donini, Marco Rampelotti, Giazinto Molinari,

Daniele Tomio.

Fonte: Aluizio Molinari

O filho mais velho, Jos, resolveu se casar. Mas houve desentendimentos com sua famlia relativos a este casamento. Ento ele saiu da casa dos pais e ficou mais de um ano sem dar notcias. Quando voltou a Botuver, em 1949, disse que estava morando em Mandaguari e trabalhava na Companhia Melhoramentos Norte do Paran. Como j foi mencionado, inicialmente, trabalhou como picadeiro, mas por ser um bom funcionrio, fora convidado a fazer a medio de terras como agrimensor leigo e passou a receber um bom salrio.

Jos Bianchessie Angelo Bianchessi

Fonte: Ivete Bianchessi Pereira

Jos Bianchi, como ficou conhecido aqui, sugeriu ao pai que vendesse suas terras em Botuver e comprasse outras no Paran. Pois, o plantio de caf era rentvel e as terras muito frteis. O pai aceitou a proposta, vendeu sua propriedade e rumou para o Norte. Junto com ele, partiram as famlias de Guilherme Bonomini e ngelo Raimundi num caminho GMC, ano 48, de Guilherme. O caminho foi coberto por lona e trouxe a bagagem de trs famlias, que consistia em bas com roupas, louas, panelas e alguns instrumentos de trabalho. Ao todo, vinte e duas pessoas migraram para o Paran nesta viagem. A mudana aconteceu no ms de abril de 1949. Desde Botuver at Itamb, foram quatro dias de viagem.

Quando chegaram beira do Rio Keller, tiveram que levar as mudanas nas costas at suas terras, pois ainda no havia ponte para o caminho transpor o rio. Com a lona, foi feita uma barraca, na qual as famlias se abrigaram, at que cada uma pudesse construir sua casa. Assim se deu o incio do Bairro Catarinense.

Uma tragdia marcou o incio deste bairro. No dia seguinte chegada, os homens foram caar para alimentar suas famlias. O cunhado de Andr Bianchessi, Guilherme Comandolli, disparou acidentalmente a espingarda, acertando seu prprio estmago e morreu. Foi preciso ir a p buscar autoridades policiais em Mandaguari e registrar a morte. No local da tragdia, foi erguida uma cruz, onde os catarinenses rezavam.

Pedro Bianchessi adquiriu quinze alqueires, sendo divididos em trs lotes de cinco alqueires: um para Pedro, o pai; outro para Pedro, filho; e o ltimo para seu outro filho Gentil. A filha Elza ficou morando em Mandaguari com Jos, os outros filhos ficaram em Botuver.

As primeiras providncias tomadas pelos colonos foram derrubar as matas e formar os cafezais. Para sua subsistncia, colhiam palmito, caavam e pescavam. Jos Bianchessi, que ganhava um bom salrio da Companhia, levava outras mercadorias para os catarinenses todas as semanas, que s seriam pagas a ele um ou dois anos depois. Esta ajuda foi essencial para a permanncia deles aqui, lembra o Senhor Gentil Bianchessi.

Local onde os catarinenses atravessavam o Rio Keller

Fonte: Google Mapas

Depois destas trs famlias, outras de Santa Catarina rumaram para o Paran, quase todas de Botuver. Em 1949, chegaram ao Bairro Catarinense, Arcnio Bianchessi, Joo Molinari, os irmos Valdir, Joo e Sebastio Pavesi. Em 1950, foi a vez de Olmpio Bianchessi e Vicente Pavesi se mudarem para o Paran e, em 1951, chegou aqui Ernesto Fugaza. Em seguida, vieram as famlias de Henrique Paloschi e Germano Raimundi. A famlia de Onildo Pedrine chegou por volta de 1960. Todos eram parentes ou amigos, por isso compravam lotes um ao lado do outro.

Alcir Roberto Bianchessi lembra que encontraram apenas as matas e muitos artefatos indgenas em lugares onde havia gua, rios e nascentes. Seu pai explicava-lhe o valor daquelas peas e as guardava. Porm no havia nenhuma tribo instalada no local. Mas havia muitos animais nas matas. Alcir disse que sua famlia derrubou uma pequena rea de mata e construiu uma casa de madeira, os materiais para esta construo foram transportados de caminho at o rio e depois nas costas. Tambm plantaram cereais para sobreviverem, como arroz, milho e iniciaram a lavoura de caf. A gua era retirada de poo para cozinhar e matar a sede das pessoas e animais. Os banhos eram no rio, com caneco ou bacia em casa; alguns compraram chuveiros de lato que eram abastecidos manualmente. As necessidades fisiolgicas eram feitas em privadas ou no mato mesmo.

Famlia de Andr Bianchessi

Fonte: Famlia Bianchessi

Na cabeceira de sua propriedade, Germano Raimundi construiu um botequinho, que se transformou numa venda de secos e molhados. Anos mais tarde, o comrcio foi vendido para seu cunhado Olmpio Bianchessi. Ao lado deste, os colonos construram uma capela de madeira. O Padre Eduardo, de Mandaguari, rezava as missas periodicamente.

Olmpio Bianchessi e seus filhos na venda da famlia

Fonte: Famlia Bianchessi

A primeira professora da escola do bairro foi a Senhora Maria Raimundi Bianchessi. Tambm lecionaram na instituio as senhoras Frida Morelli Bianchessi e Ludiovina Ambile Pedrini Bianchessi.

Com a venda, a escola, a igreja e as casas dos colonos, o local passou a ser chamado de Bairro Catarinense, nome que prevalece at hoje.

Escola no Bairro Catarinense, construda pelo

Prefeito Joo Antnio Claroem 1963

Fonte: Famlia Claro Moreschi

O Dr. Mauro Nakamura conta uma histria inusitada que aconteceu no local. Numa tarde, a famlia Bianchessi estava reunida no quintal conversando, quando uma galinha passou correndo e atrs dela veio uma ona jaguatirica, magra e esfomeada. A felina passou perto do Sr. Pedro e ele instintivamente lhe deu um soco, nocauteando o animal. Depois, ela foi morta a pauladas. Por este feito, o nocauteador ganhou o apelido de “Pedro mata ona a soco”.

Festividade em frente Igreja no Bairro Catarinense

Fonte: Famlia Bianchessi

Outra famlia que morou neste bairro foi Ossucci. Gilberto Ossucci e seus irmos compraram um lote de cinquenta alqueires no bairro em 1949. Mas continuaram morando no Patrimnio de Caixa So Pedro, Arapongas/PR. Funcionrios da famlia Ossucci cuidavam das terras de Itamb. Os Ossucci se mudaram para c em 1960. Alm deles, Lus Cesrio foi outro morador do Bairro.

Gilberto Ossucci

Fonte: Maria Suzana Ossucci

Bairro Moreschi

De acordo com Antnia Andr Moreschi, Humberto Moreschi, tambm descendente de italianos, nasceu em Taquaritinga, So Paulo, no final do sculo XIX. Depois de casado mudou-se para Cedral, onde cultivava caf. Em 1941, soube das terras do Norte do Paran e decidiu vir para esta regio com toda sua famlia e empreiteiros, nesta poca os filhos mais velhos j estavam casados. Humberto comprou 100 alqueires de terras com mata virgem numa localidade conhecida com Vinte e Cinco, entre Camb e Londrina e viveu neste local por dez anos, cultivando caf. Em 1951, a famlia adquiriu 120 alqueires de terra no Patrimnio de Itamb, a propriedade foi dividida em pequenos lotes para que os empreiteiros, cerca de quinze famlias, derrubassem a mata e cultivassem o caf. Foram construdas casas cercadas de palmitos e cobertas de tabuinha para abrigar os moradores. Quando os ps de caf estavam com quatro anos e j davam seus primeiros frutos, ocorreu uma geada. Ento foi preciso cortar o caf e foram plantados milho, arroz e feijo com grande produtividade.

Bairro Moreschi. Fonte: Famlia Moreschi

Humberto adquiriu mais 100 alqueires de terra em Itamb e voltou a plantar caf na Fazenda Anjo da Guarda. Desta vez, a geada no atrapalhou e a produtividade melhorou a vida de todos. As casas de palmito foram substitudas por vinte casas de madeira, alm disso, foram feitos: dois terreires, um secador de caf, salo de baile, campo de bocha, farmcia, mquina de arroz, serraria, campo de futebol, venda de secos e molhados, sorveteria, e o Governo do Estado construiu uma escola de alvenaria no lugar da escola de madeira. Um dos filhos de Humberto, Misdei, e um empreiteiro, Dbio dos Santos, construram a primeira capela do bairro com a madeira retirada da prpria fazenda. Havia missas uma vez por ms, com padres de Itamb ou de Bom Sucesso. Os treze filhos de Humberto compraram mais terras e foram abrir seus stios em outros distritos ou municpios. A fazenda Anjo da Guarda ficou para Misdei e seus irmos, lvaro e Artizo Moreschi.

Primeiro Templo da Capela Santo Anjo da Guarda

Fonte: Prefeitura Municipal de Itamb

O cultivo da hortel menta teve incio em 1956, devido ao alto valor do produto. Os proprietrios compraram um caminho Alfa Romeu, com capacidade para dezoito mil quilos de carga, cujo motorista era Irineu Moreschi. A safra de caf era transportada para os portos de Santos e Parangu.

No local, havia grandes festas com torneios de futebol e bailes, que atraam centenas de pessoas, das zonas urbana e rural.

Moradores do Moreschi e visitantes

Fonte: Adriele Miotti

Bairro Garcia

Desmatamento do Bairro Garcia

Fonte: Luzia Rodrigues

O Bairro recebeu o nome de Garcia por abranger, entre outras propriedades, a de Antnio Manuel Garcia, paulista da regio de So Manuel. Ele mudou-se para Itamb provavelmente em 1950. Cerca de oitenta famlias viviam na regio, em cada stio havia de dez a doze residncias. Neste local, havia tambm a propriedade do Vereador Benito Rodrigues, o qual cedeu um terreno para a construo da escola. O Senhor Natalino Nunes da Silva lembra-se que estudou l com a Professora Ivani Aries de Assis, em 1965.

Professora e alunos da Escola Isolada “Garcia”

Fonte: Prefeitura Municipal de Itamb

Havia dois campos de futebol, um na Fazenda Garcia e outro no stio do Senhor Benito, tambm havia dois times. Nos campos aconteciam torneios constantemente. Natalino disse que os moradores do bairro quase no iam cidade de Itamb, pois o local oferecia diverso e mercadorias, fornecidas por duas vendas de secos e molhados, do Benito Rodrigues e do Jos Nunes.

Moradores da Comunidade Garcia em frente Capela

Fonte: Maria Helena Zampar dos Santos

O caf e a hortel menta eram as lavouras cultivadas. Todos os sbados, havia bailes nos terreires de caf. Os teros eram rezados nas casas. Uma vez por ms, o padre rezava missa na Capela So Sebastio, que foi visitada at por Dom Jaime Lus Coelho, arcebispo de Maring.

O bairro era formado pela famlia Garcia, famlia de Sebastio Nunes, de Arnaldo Fatoretto, de Benito Rodrigues e Beltramin.

Moradores do Bairro Garcia

Fonte: Luzia Rodrigues

Fazenda Ouro Verde

Desmatamento da Fazenda Ouro Verde

Fonte: Famlia Meyer

A Fazenda Ouro Verde foi formada pelo imigrante alemo Guilherme Meyer. De acordo com sua esposa, Marilena C. de P. Meyer, aos 13 anos, Guilherme saiu da Alemanha com os pais, a famlia fugia da Primeira Guerra Mundial. Estabeleceram-se em Paraguau Paulista, Estado de So Paulo. Em 1931, aps da morte dos progenitores, Guilherme veio morar em Londrina e foi o primeiro motorista do Senhor Nelson Garcia, dono da Viao Garcia, dirigindo uma Catita que fazia a linha Londrina-Rolndia. Em 1938, ele tambm foi scio da Casa Guilherme, em Rolndia, na qual havia servio de correio e banco. Muitos judeus alemes que fugiram das guerras para esta cidade eram seus fregueses, o local funcionava como um ponto de encontro para eles. A Casa existe at hoje.

Em seguida, Guilherme Meyer montou uma serraria em Arapongas, e expandiu o negcio para Mandaguari, onde ouviu falar da fertilidade das terras do Vale do Iva, atravs da Companhia Melhoramentos Norte do Paran. Ento comprou 143 alqueires de terras em Itamb e depois adquiriu mais 100. Porm devido a prejuzos com a geada de 1955, precisou vender uma parte das terras.

Colonos da Fazenda Ouro Verde

Fonte: Famlia Meyer

A mata foi derrubada, mas preservou-se uma parcela para proteger a mina d’gua, formando um bosque, foram construdas 53 casas com pomar e forno para as os colonos. Mais de duzentas pessoas moravam nesta fazenda. Marilena disse que Guilherme se preocupou muito com o bem estar de seus empreiteiros. Tambm foram construdos aougue, escola, onde eram realizadas missas, bailes e reunies, campo de futebol, armazm de secos e molhados, aberto aos sbados, para vender tecidos, mandjuba, carne seca, tambm havia um aougue ao lado. Uma vez por ms, os colonos chegavam ao armazm com uma lista imensa de compras e era preciso que o vendedor separasse tudo para entregar ao fregus. Como as estradas eram ruins e sem meios de transporte, as compras precisavam ser feitas ali mesmo.

Ela destaca tambm que a escola ficava lotada de alunos, o local tambm servia de clube de reunies, missas, bailes. Nestes as mulheres levavam seus filhos e colocavam sacos de caf no cho para as crianas dormirem, a msica ficava por conta de violeiros e sanfoneiros da regio. No havia equipamentos para ampliar o som, tudo era no “gog mesmo” diz Dona Marilena.

A fazenda contava com um time de futebol e um campo com barzinho. Os colonos e os filhos de Guilherme eram os jogadores. Nos dias de jogos, moradores de toda a regio compareciam para assistir as patidas. A sede do Ouro Verde Futebol Clube tambm funcionava no prdio da escola.

A famlia no morava na fazenda, a residncia oficial era em Arapongas, mas passava muitos meses do ano no local, principalmente em pocas de colheita. Para tanto, Guilherme construiu um grande casa de madeira, com dez quartos e uma adega no poro. Os parentes da famlia iam visita-la e a casa estava sempre cheia.

Famlia Meyer

Fonte: a prpria Famlia

Inicialmente, a fazenda produzia caf. Mas com a chegada dos filhos, Guilherme precisava pegar leite dos stios vizinhos. Mas ele achava uma vergonha ter uma fazenda daquele tamanho e no possuir nenhuma vaca leiteira. Ento, comprou algumas cabeas de gado holands, mesmo sem ter conhecimento de como lidar com a criao destes animais. Um dos filhos de Guilherme, Lus Henrique, interessou-me pela pecuria e estudou muito sobre o assunto, at sobre a gentica das vacas. Assim ele montou um plantel de gado holands na fazenda, inicialmente vermelho e branco, expandindo para preto e branco. Lus Henrique implantou o sistema mecnico de ordena, o que proporcionava mais higiene e rapidez ao trabalho. Por este empenho pecuria, ele foi presidente do Ncleo dos Criadores de Gado de Leite de Maring, aps seu falecimento o Ncleo foi denominado com o nome de Lus Henrique Meyer e, todos os anos, a entidade premia os melhores produtores de leite com o Trofu Lus Henrique Meyer. A famlia tambm investiu no turismo rural a partir de junho de 1998.

Uma curiosidade a respeito do plantel da famlia foi relatada pelo ex-verador Jovnio Pereira dos Santos. Guilherme comprou um tourinho de Ronaldo Golias, pois o humorista era um dos maiores importadores de gado do pas.

Ordenha mecnica na Fazenda Ouro Verde

Fonte: Famlia Meyer

Couro do Boi

Em 1951, com a chegada das primeiras famlias, que viviam nas Comunidades Bela Vista e Couro do Boi, em Londrina, foi criada a comunidade Couro do Boi, em Itamb. Dentre as famlias estavam as de: Dorvalino Sassi, Alberto Dalrovese, Vitorino Fabris, famlia Patrcio, Altino e Demtrio Camilo, Jos Ferino e Ernesto Fugazza. Dois anos depois, outras que se mudaram para l foram: Mrio, Augusto e Joo Vertuan, ngelo Modolon, Natal e Augusto Tomazeli.

As famlias se dividiram nas guas: Indiana e Beija-Flor. Como o local ainda no tinha nome, quando as pessoas iam visitar as famlias que viviam l diziam que iriam ao pessoal do Couro do Boi, da surgiu o nome da comunidade. At as duas guas tambm ficaram conhecidas como gua Couro do Boi.

A derrubada das matas foi feita com foices e machados, construram-se taperas nas margens dos crregos. Para a subsistncia, eram plantados arroz e feijo. A hortel foi a primeira cultura, seguida pelo caf.

Secagem do caf no terreiro

Fonte: Famlia Sassi

O primeiro campo de futebol foi feito no stio do Senhor Jos Ferino. O goleiro do time era o Senhor Luiz Vertuan, ainda morador de Itamb, seu reserva era Durval Sassi, que atualmente vive em Palmitpolis. Depois foi feito outro campo na s margens da gua Beija-Flor. O time disputava jogos com outras equipes como: Minerva, Moreschi, Guerra, entre outros.

Time de Futebol do Couro do Boi, 1984

Fonte: Adriele Miotti

O maior nmero de pessoas que viveu nesta comunidade pertencia s famlias Vertuan, Patrcio e Antnio Balan, este mudou-se para c em 1955.

Domingos Patrcio chegou comunidade em 1951, onde adquiriu quinze alqueires, desmantando-os e cultivando caf. Como tinha dez filhos, muitos deles foram embora para outras cidades a fim de sustentarem suas famlias, como o Senhor Antnio Patrcio, que mudou-se para Maring e trabalhou de carroceiro, depois foi para Palmitpolis, local onde adquiriu sua primeira propriedade para o cultivo de hortel menta. Em 1970, Antnio voltou para o Couro do Boi e comprou as partes das terras de seus irmos. Nesta poca, ainda estava em alta a produo de caf.

Demtrio Camilo e Domingos Patrcio

Moradores do Couro do Boi

Fonte: Jos Carlos Patrcio

Todas as famlias eram catlicas, mas no foi construda capela no local. As missas e teros eram rezados na casa de lderes comunitrios. Os moradores do Couro do Boi tambm frequentavam a Igreja Anjo da Guarda no Bairro Moreschi, at que uma escola foi construda s margens de uma estrada rumo Fazenda Minerva. Alm de servir para alfabetizar os alunos, missas eram realizadas ali a cada dois meses, aproximadamente. Como no havia mdicos nas proximidades, os bebs nasciam pelas mos de Dona Corina, parteira do Bairro Catarinense.

Com o passar dos anos, as famlias foram vendendo suas propriedades e muitas adquiriram terras mais baratas em Palmitpolis, prximo de Nova Aurora-PR. Permaneceram na Comunidade Couro do Boi as famlias Vertuan e Patrcio.

Almoo no terreiro de caf, Couro do Boi, 2012

Foto: Denizia Moresqui

Fazenda Minerva

A Fazenda Minerva era de propriedade de Ruy Hellmeister Novaes, Prefeito de Campinas-SP, nos anos de 1955 a 1959 e de 1964 a 1969. O nome da fazenda foi inspirado na deusa grega da caa, l tambm eram produzidos hortel e caf.

Ruy Hellmeister Novaes

Fonte: Google Imagens

Ruy visitava a Fazenda a cada sessenta dias. Para sua comodidade, construiu uma grande casa de alvenaria com de piscina, zelavam o imvel Joo Ernesto Maia e sua esposa Luzia da Silva Maia. A casa impressiona pelo tamanho e pela beleza. De acordo com Jos Carlos Nardi, ela foi projetada pelo filho de Ruy, que era engenheiro. L o proprietrio fazia festas e recebia importantes polticos brasileiros. O local era vigiado por guardas vinte e quatro horas por dia. Havia duas colnias de mais ou menos vinte casas.

Casa construda por Ruy Novaes na Fazenda Minerva

Foto: Denizia Moresqui

Maria de Ftima Bernandes Cesco mudou-se para este local aos 12 anos de idade. Ela conta que Ruy Novaes vendeu a propriedade para o Deputado Hlio Consone, pai de Joo Lus Consone, de Ribeiro Preto- SP, por volta de 1968. A fazenda foi um presente de casamento para Joo Lus. O pai de Maria, Cipriano Bernardes, veio para Itamb administr-la. Nesta poca, a propriedade passou a produzir soja e as casas, aos poucos, foram desmanchadas, j que a necessidade de mo de obra diminuiu e muitos colonos foram embora.

Mesmo assim, por causa do trabalho de capinagem, a fazenda Minerva ainda era habitada por muitas famlias. No local, havia campo de futebol e um time, que era mantido com a renda de bailes realizados quinzenalmente. A equipe disputava jogos com os times das comunidades vizinhas, o que atraa muitos espectadores.

Em 1976, a fazenda foi vendida para Lus Guerreiro. Atualmente pertence Famlia Balan.

Gabirobeira

Esta comunidade era formada por vrias propriedades pequenas. Seu nome se refere s vrias gabirobeiras encontradas no local na poca do desmatamento. L havia escola, inaugurada em 1959, e vrias casas das famlias: Spirandelli, Brio, Rosa, Silva, Giraldelli, Nardi, entre outras. Jos Nardi, paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, mudou-se para Jandaia do Sul em 1948. Depois adquiriu lotes e mudou-se para Itamb, em 1955.

Aparecido Severino Spirandelli, filho de Cuelfo Spirandelli e Carolina Luiza Brio, veio de Sertaneja para Itamb em 1952, assim como Sevrio Brio e seus filhos Jos e Geraldo. A famlia Spirandelli comprou um stio da Gabirobeira por volta de 1947, pagou empreiteiros para derrubarem as matas do lote que havia comprado. Um empreiteiro formou caf, Man Portugus. S cinco anos depois da compra do lote, foi que os Spirandelli mudaram-se c. Eles fizeram uma casa e tbuas e coberta de tabunha, com vigamento de palmito e o cho de terra. Depois a famlia tocou a lavoura de caf. No local havia uma venda.

Jos Nardi veio de Jandaia do Sul para Itamb em 1955, pois havia comprado um stio no local, em 1948. Ele lembra que havia muito palmito e peroba na sua propriedade. Tambm cultivou caf, para a subsistncia, plantava arroz, milho e feijo. A nica criao trazida de Jandaia era um cavalo.

Equipe de fubebol da Gabirobeira

Fonte: Jos Carlos Nardi

Havia famlias vivendo at ao lado do Saltinho do Rio Keller. A Gabirobeira contava com campo, time de futebol e salo de festa. Como o nmero de alunos era grande, a escola funcionava em dois perodos: de manh para alunos de 1 e 2 sries e tarde, 3 e 4 sries. Jos Carlos Nardi calcula que havia cerca de 100 alunos ao todo. A primeira professora da Escola Isolada Visconde de Mau foi a Senhora Maria Aparecida Zaninelo, esposa de Antnio Verni.

Moradores da comunidade Gabirobeira

Fonte: Jos Carlos Nardi

A energia eltrica para o funcionamento da televiso era obtida por meio de bateria, em 1972 foi posto no local um motor. Como em Maring ainda no havia retransmissora de TV, era necessria uma antena de vinte metros de altura para captar o sinal da TV Tibagi de Apucarana. Em 1972, um gerador de energia foi instalado na comunidade.

A gua era obtida de nascentes por meio de “um burrinho”, espcie de mquina movida gua, que enchia as caixas. Outro recurso era a roda d’gua.

Escola Isolada Visconde de Mau

Fonte: Famlia Zampar

gua Moca

O primeiro desbravador da Moca foi o senhor Martin Tieppo. Ele veio sozinho abrir as matas, ficou hospedado com uma famlia a cinco quilmetros de seu stio. Aps derrubar um pouco de mato, comeou a fazer uma casinha de palmito e coberta de tabuinha. Em seguida voltou a Bandeirantes para buscar a esposa e a filha, Iride, de seis anos. Fazia dois meses que estava longe de casa. Quando elas o viram, no o reconheceram, pois pensaram que ele fosse um mendigo, devido a seu estado fsico: magro e barbudo. Os trs mudaram-se para a Moca e outra casa maior de palmito e tabuinha foi erguida. Em seguida, o restante da famlia, cerca de treze pessoas, tambm chegou comunidade.

Martin Tieppo e famlia

Fonte: Iride Tieppo

A Senhora Pelargia Buchinski Schischoff (1927-2015) conta que seus avs vieram da Polnia num navio tocado a vento, no sculo XIX. Eles aportaram em Santa Catarina e l se casaram. O pai de Pelargia, Adan Buchinski, j nasceu no Brasil, em Benedito Novo/SC. Depois de se casar com a Senhora Vitria Kovalski, ele veio com a famlia morar num local chamado Warta, distrito de Londrina, mas aps dois anos, Adan morreu. Vitria ficou sozinha para sustentar sete filhos, o mais novo estava com apenas quatro meses. Ento, ela mudou-se para Itamb, regio da Moca, em 1947, e passou a trabalhar como meeira no cultivo do caf, ajudou inclusive a derrubar as matas. Pelargia abandonou a escola para ajudar a me. Quando conseguiu juntar dinheiro, Vitria comprou dez alqueires perto de Aquidaban. Anos mais tarde, ela voltou para Santa Catarina, onde faleceu aos 85 anos. Pelargia ficou em Itamb com o marido.

Vitria Kovalski, uma mulher de coragem

Fonte: Pelargia Buchinski Schichoff

A escola da comunidade ficava margem direita do Rio Marialva, na Serra do Barbudo. Para que as crianas pudessem chegar at l, os moradores da Moca derrubaram um tronco de urucaia para ligar uma margem outra e fizeram corrimo de bambu. A primeira professora se chamava Maria, que depois foi substituda por Alice. Esta alm de lecionar, trabalhava na roa. Todos os casais tinham muitos filhos. Pelarga teve onze, que ajudavam na lavoura.

Alm da famlia de Buchinski, outros poloneses se mudaram para a Moca. Pelargia acredita que eram mais de dez famlias que se reuniam nos almoos de domingo para cantar e falar em polons.

Famlia da Senhora Pelargia Buchinski Schischoff

Fonte: Famlia Schischoff

Cada famlia possua de cinco a dez alqueires, pouca moblia e muita vontade de trabalhar. Todos os homens eram caadores, para conseguir carne, aos domingos de manh, eles saam com espingardas e ces a fim de caar veados na beira do Rio Marialva. Depois, a mulheres limpavam e preparavam a carne. Tambm eram feitas armadilhas com espingardas e fios nos locais onde havia trilhas de veados e pacas. Mais tarde, a famlias passaram a criar porcos. A primeira vaca foi trazida pelo esposo de Pelargia da Varta a p e depois de caminho. A vaca estava com bezerro, por isso a viagem se estendeu por vrios dias. As outras famlias alimentavam as crianas com leite em p. Nesta comunidade foram plantadas muitas rvores frutferas. Pelargia diz que a Moca parecia um paraso devido fartura. Havia at um alambique de pinga do Senhor Leovaldo de Souza.

Para ir missa, as pessoas caminhavam at o Distrito de Itamb. Depois foram adquirindo carroas. Alm das missas, os moradores da Moca tambm participavam das festas da Igreja. Perto da comunidade, havia uma igrejinha na margem direita do Rio Marialva, ao lado da escola. L eram realizadas missas, batizados e primeira comunho, depois ela foi desativada. Quando o Padre Pedro Cansio Dapper assumiu a Parquia de Itamb, em 1973, passou a celebrar missas todas as ltimas sextas-feiras do ms na casa de Dona Pelargia.

Na Moca, havia um campo de futebol no stio do Senhor Domingos da Silveira. O time era mantido pela comunidade que fazia um baile a cada quinze dias para arrecadar dinheiro. A comunidade se estendia por vrios stios, chegando a ter, aproximadamente, 1.500 pessoas. Esta comunidade, juntamente com a do Couro do Boi, foram as que mais resistiram ao xodo rural.

Um grande lder da comunidade foi o ex-vereador Joo Cristino de Freitas, que se tornou presidente do Sindicato Rural de Itamb.

Outro morador da comunidade foi o Senhor rico Possobon, natural de Ribeiro Preto/SP, chegou a Itamb em 1951 para trabalhar de empreiteiro. J em 1953, conseguiu recursos para adquirir um lote na gua da Moca.

Porto Real

De acordo com Jos Carlos Nardi, a Fazenda Santa Brbara foi loteada na dcada de 60 e revendida a vrias famlias, entre os compradores estavam a famlia Martussi, Lafayete Grenier e Armando Lima, dando origem a outra comunidade rural. A Comunidade Porto Real ficava junto ao Rio Iva, l viviam cerca de dez famlias. Havia igreja, escola e uma venda de secos e molhados, denominada Emprio Real, que pertencia famlia Bianchessi e depois foi vendida a Pedro e

HISTÓRICO

Assim como inmeros municpios da mesorregio Norte do Paran, Itamb fruto da obra colonizadora da Companhia de Terras Norte do Paran, que adquiriu, inicialmente, junto ao governo do Paran, 415.000 alqueires de terras frteis situadas entre os rios Paranapanema, Iva e Tibagi. Com sede em Londrina (1929) efetuou o maior empreendimento agro-imobilirio do Brasil, promovendo a agricultura no restante das terras.


Por volta do ms de janeiro de 1947, chegaram s terras, onde se localiza o atual Municpio de Itamb, os primeiros povoadores, destacando-se Paulo Tuti, Paulo Xavier, Paulo Bogenscheneider, Augusto Mineiro, Carlos Bobbo, Gaudncio Severo Luiz, Antonio Naujalis, Joo Rodrigues Gomes, Otto Morais de Souza, Gumercindo Amaral, Pedro Bastos Pereira, Jos Guerra, Francisco Albino, Mrio Machado, Gabriel C. de Freitas, Joo Cristino de Freitas, Jos Joaquim Pereira, Luiz Lopes, Antonio Csar de Oliveira e Manuel Palazzo.


Com o passar do tempo, mais famlias se deslocaram para Itamb e o traado urbano foi surgindo paralelo s lavouras de caf e cereais, at que em 1950, atravs da Lei n 790, o patrimnio de Itamb, foi elevado a Distrito de Marialva e ainda em 11/11/1951 a Distrito Judicirio.


O desbravamento e a colonizao do Municpio de Itamb creditado Companhia de Terras Norte do Paran, atual Companhia Melhoramento do Paran, empresa coloniz adora responsvel pelo surgimento de inmeras cidades na regio norte de nosso Estado.


Tudo comeou entre fins de 1946 a janeiro de 1947, quando pioneiros iniciaram a penetrao no serto inspito da regio. Louvamos a iniciativa do herico pioneiro Joo Cortez Capel que pleiteou junto Companhia a abertura de um novo patrimnio. Cidado dotado de fibra incomum, enfrentou toda espcie de dificuldades e deu incio a este progressista municpio paranaense. Foi responsvel pela vinda de famlias oriundas dos mais diversos pontos do pas.


O traado urbano do patrimnio surgia paralelo a belas lavouras de caf e cereais. O trabalho organizado e a harmonia reinante foram fatores fundamentais para o desenvolvimento e o progresso.


Entre os primeiros comerciantes da localidade destacamos Paulo Tutti, Severino, ngelo, Albino, Ernesto e Luiz Valler, Massakasso Honda, Antonio Naujalis, Oto Moraes de Souza, Paulo Xavier, Jos Gagg, Frederico Wegner, Luiz Lopes, Joo Granero, Jos Silva, e outros, responsveis pelo desenvolvimento comercial.


Em 1947, Paulo Bogenschneider, juntamente com os cunhados, os irmos Bindewald (Joo, Alberto, Henrique), iniciaram-se no trabalho de retirada e transporte de madeiras. Aps um certo tempo, transformaram um caminho de toras em uma espcie de jardineira e passaram a dedicar-se ao transporte de passageiros para Mandaguari. Em 1950 adquiriram a primeira jardineira, e com o tempo passaram a contar com uma frota de cinco nibus.


FORMAO ADMINISTRATIVA


Em 1950, atravs da Lei n 790 foi elevado a Distrito de Marialva, e ainda em 11/11/1951 a Distrito Judicirio.
Na data de 25 de julho de 1960, pela Lei n 4.245, foi criado o Municpio de Itamb.
A instalao solene ocorreu no dia 30 de novembro de 1961.

 
 
 
Localizaçõ

Travessa João Ossucci, 50

Telefone

(44) 3231-1444

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Calendá

Última Atualização do site: 01/06/2020 16:55:04